quarta-feira, 27 de maio de 2009

Chico Buarque do Brasil


A música de Chico Buarque foi minha canção de ninar, minha música infantil, meus embalos de adolescente. Companhia para as noites só... Madrugadas acompanhada... Sonhos incontáveis (inarráveis e inumeráveis)...

Chico Buarque é músico, compositor e escritor: um artista brasileiro coberto de lirismo, amado por muitos e odiado por alguns outros.

O quarto dos sete filhos do historiador e sociólogo Sérgio Buarque de Hollanda, nasceu no Rio de Janeiro, em 1944 e cresceu em meio a visitas de Vinicius de Moraes e influenciado musicalmente por João Gilberto, em seu compacto Chega de Saudade, lançado em 1958.

A carreira de Chico teve início em 1960, mas seu trabalho foi conhecido a partir de 1966, quando venceu em primeiro lugar o II Festival de Música Popular Brasileira, no Teatro Record, com a música A Banda, interpretada por ele e por Nara Leão.

Na época da Ditadura no Brasil, canções como Cálice e Apesar de Você, foram censuradas e Chico, ameaçado pelo Regime Militar, exilou-se na Itália, em 1969. Durante este período fora, assinou com o pseudônimo Julinho da Adelaide, Acorda Amor e Jorge Maravilha. Voltou ao Brasil em março de 1970. Sobre o período de Ditadura, Chico Buarque já afirmou em entrevistas que prefere não dramatizar, chegando a declarar que a ditadura encheu muito o seu saco, mas que ele também encheu o saco deles bastante.

É presença marcante no trabalho musical de Chico, letras com cunho social, revolucionário e humano. Mas há que se destacar a forma como Chico sempre cantou as mulheres em suas músicas. E as canta de forma tão sensível, que parece ter vivido cada contentamento e amargura de suas letras. Quantas Ritas, Angélicas, Beatrizes, Bárbaras, Cecílias, Yolandas, Iracemas, Joanas, Marias, Rosas, Lígias, Luísas, Renatas e Terezinhas, não imaginaram, ao menos por alguns instantes, que o belo poeta de olhos azuis se inspirou somente nela pra criar sua poesia?

Chico Buarque já compôs para trilhas sonoras de filmes brasileiros como Quando o Carnaval chegar, de Cacá Diegues, e Vai trabalhar Vagabundo, de Hugo Carvana. No teatro musicou peças como Morte e vida Severina, além do infantil Os Saltimbancos, que mais tarde viraria filme Os Saltimbancos Trapalhões, com canções adaptadas por ele. Escreveu peças como Ópera do malandro, Calabar e Roda Viva.

Na sua adolescência, Chico escrevia crônicas para o Verbâmidas, um jornal do colégio. Além disso, publicou em 66, no jornal O Estado de São Paulo, o conto Ulisses. Chico também escreveu a novela pecuária Fazenda Modelo (74), Chapeuzinho amarelo (79) e A bordo do Rui Barbosa (81). Mas foi a partir da década de 80 que Chico alternou a música com a literatura.

Estorvo foi seu primeiro romance, escrito no Rio de Janeiro e finalizado em Paris, em 1990, sendo publicado em 1991. Em 1995, Chico lançou Benjamim, que mais tarde, em 2004, foi adaptado para o cinema com a direção de Monique Gardenberg. Budapeste é o seu terceiro romance, lançado em 2003. O livro também foi adaptado para o cinema e teve seu recente lançamento na semana passada, com direção de Walter Carvalho.

O seu mais recente lançamento é Leite Derramado, que conta “uma saga familiar caracterizada pela decadência social e econômica, tendo como pano de fundo a história do Brasil dos últimos dois séculos”.


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