quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Crise dos Caciques

Alguns fatos são muito estranhos no novo episódio político brasileiro, a chamada "Crise do Senado" que tem como protagonista principal José Sarney. Inicialmente é bom lembrar que os principais nomes do senado são considerados "caciques políticos" de diferentes regiões e partidos, mas que historicamente sempre rondaram o poder político nacional. Entre eles observamos vários nomes bastante conhecidos como Fernando Collor, Tarso Jereissati, José Agripino Maia e Renan Calheiros.

Porém, alguns episódios parecem dar um nó em nossa cabeça. Quais seriam os interesses de "caciques" políticos antes aliados, brigarem entre si, neste episódio chamado de crise do Senado? É certo que as denúncias contra o presidente do Senado são claras, evidentes e são uma vergonha nacional, mas ele mesmo, José Sarney, já presidiu o Senado em outras duas oportunidades. Será que somente agora cometeu arbitrariedades? E os senadores que denunciaram José Sarney, será que tem um passado político límpido ao ponto de subir ao "púlpito do Senado" e pregar a honestidade? É o caso dos senhores Tarso Jeireissati e José Agripino Maia. E os Senadores que tentam minimizar as graves denuncias a José Sarney? Será que os senadores Renan Calheiros, protagonista de uma crise recente, e Collor de Melo, possuem credibilidade moral para se apresentarem à população como apaziguadores de denuncias "fictícias" ou falar em conspiração?

Rafael Tavares, funcionário público, acredita que alguns fatos políticos são reflexos das atitudes de “um povo acomodado e oportunista”. “Devemos protestar contra os fatos, mas buscar a verdade plena, não somente o que veio a tona, mas o que existe debaixo de todo esse esgoto. Todos os partidos tem maçãs podres que devem ser separadas para nunca mais serem vistas, nas próximas eleições os conchavos voltarão e quem acusa hoje será aliado e ninguém será punido”, declarou.

O que muito estranha é que estes mesmos senadores, pró ou contra Sarney, vem participando do cenário político há muito tempo, e na maioria das vezes como aliados históricos, o que poderia ter causado o rompimento entre eles?

É bem verdade que as denuncias feitas à Sarney são graves e deverão ser devassadas mesmo, mas deverão ser pensadas uma grande combinação de atitudes para restabelecer a credibilidade do Senado. Devassando não somente Sarney, mas, também os presidentes anteriores do Senado. Há que investigar algumas figuras antigas de Senado. E há de ficar claro, quais os interesses implícitos por trás das denúncias contra Sarney. Não se trata de uma defesa a tal figura lastimável da política brasileira, mas um cuidado é necessário no momento, já que com a expulsão de Sarney não resolverá os problemas do Senado. Deve-se começar por ele, mas que vários "coronéis do voto" sejam também investigados e que eles tenham o mesmo tratamento e repercussão do caso Sarney.
Questionado sobre sua opinião em relação à crise, o estagiário Vinicius Avelar desabafa: "Crise no senado é crise de denuncismo, de ruptura de valores, de alma, de Brasil no coração de brasileiros. E, diga-se de passagem, de brasileiros que se dizem lutadores, fundadores da democracia tão recente nesse país. E se os tijolos para uma democracia são tão podres, será que nos temos de fato uma democracia?"

Essa crise política pode ter como alvo, atrapalhar as pretensões políticas do Presidente da República que pensa em fazer o seu sucessor, ou a sua sucessora. Sendo assim, Sarney seria um grande aliado para essa possível sucessão. Uma explicação razoável para a briga entre os coronéis ou caciques políticos brasileiros. Uns querem apoiar Lula e seu (a) sucessor (a) e outros preferem outra perspectiva, mas, como a popularidade de Lula está alta e ele está bem respaldado de apoios, o jeito é fazer com que várias crises apareçam. Sr. Lula e Sra. Dilma que se cuidem, entre 2009 e 2010 ainda há muita estrada a ser percorrida.

Leia mais:

Parlamento

Arquivamento caso

Nenhum comentário:

Postar um comentário